DIETA MEDITERRÂNICA
A Dieta Mediterrânica é caracterizada por uma série de hábitos alimentares saudáveis, o que a torna especial e diferente das restantes dietas. Contudo esta não é aconselhada especificamente para quem quer perder ou ganhar peso, mas sim para quem quer adoptar um estilo de vida alimentar saudável.
Existem diversos estudos que salientam os benefícios da Dieta Mediterrânica. O estudo "Seven Countries Study” publicado em 1960, pelo médico Alice Keys, foi o primeiro grande estudo epidemiológico a mostrar diferentes valores de prevalência de doença coronária em populações contrastantes (Estados Unidos da América, Finlândia, Holanda, Itália, antiga Jugoslávia, Japão e Grécia). Através deste estudo constatou-se que nos países do Mediterrâneo a incidência de doenças cardiovasculares, de casos de obesidade e diabetes, era muito baixa quando comparada com outros países da Europa Central e com os Estados Unidos da América. Concluiu-se ainda que tais resultados deviam-se à tradição alimentar praticada pelas populações dos países banhados pelo mediterrânio e por isso denominada de Dieta Mediterrânica. 

Os benefícios, inerentes à Dieta Mediterrânica, demonstrados em vários estudos elaborados, não se devem a factos exulados mas sim à complexidade de hábitos alimentares, bem como o estilo de vida adotado pelas pessoas que a seguem.

A dieta é caracterizada pelos seguintes hábitos alimentares:
   - Alimentação distribuída por 4 a 5 refeições, de acordo com estação do ano e proporcional ao esforço da atividade laboral;
   - O pequeno-almoço e o almoço sobressaem relativamente ao jantar;
   - As Refeições são realizadas em confraternização, em ambiente calmo e tranquilo;
   - Grande variedade de alimentos, em pequenas porções;
   - Alimentos pouco processados, da época e de produção local;
   - Culinária simples, com pouco tempo de confeção;
   - Distinção precisa entre dias comuns e dias festivos;
   - Ingestão elevada de fruta e produtos hortícolas da natureza
          . Fruta fresca como principal sobremesa;
          . Hortícolas da época;
   - Ingestão elevada de cereais inteiros, leguminosas e frutos gordos;
   - Ingestão de alhos, cebolas e azeitonas todo o ano;
   - Utilização de gordura monoinsaturada, principalmente sob a forma de azeite, que assume um papel central no dia alimentar;
   - Ingestão elevada de peixe, dependendo da proximidade com o mar;
   - Ingestão reduzida de carnes vermelhas e processadas;
   - Preferência por carnes brancas, muitas vezes de criação;
   - Ingestão moderada de lacticínios, essencialmente queijo e iogurte;
   - Consumo regular mas moderado de bebidas alcoólicas, nomeadamente do vinho, em contexto de refeição.

A Dieta Mediterrânica é uma herança cultural vital, que tem sido transmitida de geração em geração, ao longo dos tempos. Esta dieta aliada ao exercício físico regular ajuda a manter os níveis de colesterol, previne a obesidade, doenças do coração, derrames cerebrais e cancro. É assim importante que preservemos a nossa identidade cultural e não nos deixemos influenciar por outros hábitos e costumes, principalmente quando estes não trazem qualquer benefício.

Rui Beijoco
Nutricionista